quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"Espírito e arte"





por Jaci Maraschin(in memoriam)

Quando se fala de espírito estamos em face de um termo altamente equívoco e, portanto, plurívoco. A mesma coisa acontece com o termo arte. Cada orientação filosófica, religiosa e artística entende esses termos de maneiras diferentes. Além disso, no interior de cada uma dessas condições os significados se fragmentam e “espírito e arte” passam a querer dizer qualquer coisa segundo preferências, interesses e posições. Entre os filósofos, teólogos e artistas do mundo antigo e os da pós-modernidade a gama de nuances é enorme. Os que se acostumaram com o pensamento antigo situam o espírito mais para o lado da essência e da abstração do que os pensadores atuais. Os que praticam métodos acadêmicos para a produção e, conseqüentemente, para a produção de obras de arte não consideram arte o que faz, por exemplo, Duchamp. No campo da música as repetições do minimalismo e as dissonâncias da “música nova”, por exemplo, parecem pertencer a outra categoria de criação estética se comparadas com a música harmoniosa e agradável de Bach e Mozart.

Os teólogos, entre outros metafísicos, já analisaram o significado do termo “espírito” à exaustão. Paul Tillich, por exemplo, fala até mesmo da igreja como “comunidade espiritual”. Alguns conferem-lhe certa substância e, outros, caráter divino. O deus da metafísica é um ser espiritual. Nas definições dogmáticas, essa incompreensível espiritualidade chega mesmo a se transformar na terceira pessoa da santíssima trindade com o nome de “Espírito Santo” muito embora pouco pessoal e nada concreta.

Aqui no Brasil, talvez por influência do espiritismo, de movimentos pentecostais e carismáticos e de certos tipos de protestantismo, “espírito” significa a parte assim chamada “nobre” do ser humano, capaz de agir sobre o corpo de maneira purificadora e salvadora.Nesse caso, o corpo representaria a parte baixa e vil da pessoa. Pressupõe a desencarnação até mesmo quando se afirma a encarnação. A dialética da encarnação, desencarnação e reencarnação povoa boa parte do imaginário religioso em nosso país. Nos meios teológicos o Espírito Santo pode ser identificado com o que a tradição bíblica chama de espírito de Deus, também relembrado nas aulas de nossos seminários teológicos pelo termo hebraico, ruah, ou pelo grego, pneuma. Assim o espírito é também sopro, vento, ar.

É na concepção de ar que desejo situar o conceito de espírito em relação não apenas com a religião mas principalmente com a arte. Ao proceder assim, estou dando um salto arriscado sobre o abismo que separa a metafísica e a estética do passado e a pós-modernidade. E o que estou querendo dizer também se relaciona com o conceito semelhante de “alma” tão em voga nos meios religiosos e artísticos. Boa parte da pregação evangelística concentra-se em esforços para salvar a “alma” dos pecadores. Da mesma forma, dize-se sem muita reflexão que este ou aquele artista interpreta a obra de arte a seus cuidados “com alma”. Eu costumo dizer que um bom pianista é o que toca seu teclado com as mãos e que melhor realiza o seu trabalho se possuir a necessária técnica para executar a obra que apresenta. Acho que, nesses casos, a palavra “alma” é utilizada de maneira equívoca. Talvez ajude o leitor relembrar que essa palavra, “alma”, vem do latim “anima”, raiz de nossos vocábulos, “ânimo, animação, animal, animalidade” e, conseqüentemente, com seus opostos, “desânimo, desanimação, e negação do animal e da animalidade”. Dizemos que os seres vivos são seres animados. A nossa animalidade expressa a energia vital sem a qual nos desanimamos e morremos. Quando Maria, no Magnificat, faz poesia ( isto é, anima-se a cantar a vida), declara que sua alma engrandece ao Senhor, e que seu espírito se alegra ... , está querendo dizer que seu corpo, agora cheio ( prenhe) de vida, animaliza-se e respira com o sêmen que agora começa a transformar o seu corpo no processo vital da maternidade. O Espírito é sopro, vento e ar. Que outra coisa poderiam ter sido as palavras do anjo Gabriel senão essa ventania? O ato da procriação é ato animal. Essa animalidade, sem a qual nada se cria, realiza-se por meio do vigor alimentado pelo ar. Espiritualidade significa respirar, isto é, estar vivo e viver na animação dessa vitalidade.

Lembremo-nos da lenda da criação de Adão. Sem o ar soprado por Deus ele jamais teria passado de mero pó da terra transformado em barro e moldado pelas mãos de Deus como se fosse uma escultura. Só se tornou vivo quando se encheu de ar. E só se tornou ser espiritual quando começou a respirar. Espiritualidade, então, quer dizer isto: capacidade de respirar – respiração. Na lista estabelecida por Hegel, na sua densa e extensa obra sobre o Espírito, não encontrei esse conceito. Para ele, o espírito é a mente humana em contraste com a natureza; pode ser até mesmo o elemento psicológico embutido em cada um de nós, incluindo aí a intuição, a consciência, a vontade, etc. Para alguns religiosos, espírito, como já disse seria a mesma coisa que alma. Mas todos se esquecem do ar, mesmo se o ar é tão evidente nos livros sagrados.

Em nossa época, foi Luce Irigaray, filósofa francesa, que a partir de Anaxímenes, retomou o tema do ar no pensamento contemporâneo capaz de superar até mesmo as considerações de Heidegger sobre o ser e o tempo e sobre as relações entre ser e nada. Ela chama a nossa atenção para certas qualidades do ar: está em toda parte ( não era assim que a gente aprendeu a definir Deus no catecismo e na escola dominical de nossas igrejas?, é invisível, envolve a terra, sacode as árvores, ao mesmo tempo em que se faz sentir em nossa pele. Por que será que as religiões antigas inventaram os anjos? Esses seres voadores sempre foram aéreos. Aéreos e rarefeitos. Aéreos e misteriosos como o ar. Tornaram-se, em diversas tradições, sinônimos de beleza. Foram mensageiros dessa beleza aérea. Não será aérea toda a beleza? Vocês já se deram conta de que nossas experiências com a beleza tem a ver com a respiração? Que quando ficamos ofegantes nossa respiração se modifica? Ou será que ficamos ofegantes porque a respiração se enche do novo ar emanado da beleza? Dessa beleza aérea? Em outras palavras, estou querendo dizer que a beleza é leve. Porque os anjos eram feitos de ar podiam atravessar paredes e subir e descer quando bem quisessem. Os santos antigos levitavam. Ficavam cheios de espírito, isto é, ficavam parecidos com o ar. Os anjos foram representados com asas. Botticelli até mesmo chegou a pintar anjos com asas de borboleta. As asas das borboletas são mais leves do que as dos pássaros. Não têm penas nem ossos. Essas representações da imaginação artísticas não significam exigências para a existência dos anjos. Eles nem mesmo precisariam de asas porque eram feitos de ar. Essas representações não são exigidas por eles, mas por nossa ignorância. As narrativas da descida do Espírito Santo para encontrar os apóstolos de Jesus mencionam, no dizer pictórico do livro sagrado, a experiência de um barulho “que parecia um vento soprando muito forte que encheu toda a casa onde estavam sentados” ( At 2.2). As línguas de fogo, que eles teriam visto, após, só se tornaram possíveis por causa desse vento que teria enchido a casa de ar. Não há fogo sem ar.

Embora Kant não se tenha demorado muito na consideração do conceito de espírito, afirmou que era um elemento “estimulante” da mente. Que mais pode estimular a mente do que o ar?

Leiamos o parágrafo 49 escrito por ele na Crítica da faculdade do juízo :

“Diz-se de certos produtos, dos quais se esperaria que devessem pelo menos em parte mostrar-se como arte bela, que eles são sem espírito, embora no que concerne ao gosto não se encontre neles nada censurável. Uma poesia pode ser verdadeiramente graciosa e elegante, mas é sem espírito. Uma história é precisa e ordenada, mas sem espírito. Um discurso festivo é profundo e requintado, mas sem espírito. Muita conversação que entretém, pode ser, contudo, sem espírito; até de uma mulher diz-se: ela é bonita, comunicável e correta, mas sem espírito. Que é, pois, que se entende aqui por espírito?” E responde: “Espírito, em sentido estético, significa o princípio vivificante no ânimo”. Kant, porém , não consegue fazer retroceder seu pensamento ao poder que vivifica, que é o ar.

Walter Benjamin dizia , sem entender muito bem o que estava dizendo, que a característica da verdadeira obra de arte era a aura. Que queria dizer com isso? Referia-se à sua singularidade irrepetível e irreprodutível. O grande engano de Benjamin situa-se precisamente nessa afirmação dogmática posto que não se trata de aura mas de ar. No seu conceito de obra de arte não cabem as grandes obras do cinema nem da gravura nem mesmo da escultura para não falarmos do teatro e da música sempre repetíveis e reproduzíveis. Diz-se de uma sinfonia bem tocada que se trata de uma obra de fôlego. Que quer dizer fôlego? O nosso bom Aurélio nos ajuda: 1. Respiração. 2. Ato de soprar (estou me lembrando dos músicos que tocam flauta, oboé, fagote e trompete). 3.. Capacidade de reter o ar nos pulmões (que tal Jessie Norman?). 4. Espaço de tempo para refazer as coisas perdidas. 5. Fig. Ânimo, coragem. Assim, qualquer obra de arte será sempre obra de fôlego e por causa disso nos leva a “folgar”. Em outras palavras, nos dá prazer. Acaba sendo um folguedo.

A respiração nos faz seres espirituais e animados ( isto é, cheios de alma). Somos seres que respiram e que, por isso, vivem. É na respiração e por meio dela que criamos. Assim, as obras de arte são obras do ar. Sem querer, também dizemos que elas criam certa atmosfera. Quem visita, por exemplo, em São Paulo, a Oca, no Parque do Ibirapuera, sente essa atmosfera que não está presente apenas nas obras de arte que são ali periodicamente mostradas, mas na própria arquitetura que as abriga. É do ar que vem o movimento. As partes de uma peça musical chamam-se de “movimentos” . E quando recitamos nossos poemas e dizemos nossas frases, mesmo as mais banais, só fazemos isso se abrirmos nossas bocas e se deixarmos passar por elas o ar que as alimenta.

A espiritualidade, assim concebida, relaciona-se de maneira privilegiada com as obras de arte porque nelas nada mais importa do que seu aparecimento. Entre elas e o ar não se interpõem os elementos asfixiantes que experimentamos na poluição do trânsito, no ruído das máquinas e na agitação da bolsa de valores. São como os anjos. Quanto menos pesadas mais cheias de espírito e mais condutoras da respiração. Quanto mais destituídas de sentido ( de lógica) mais espirituais. Menos carregadas de mensagens. Mais transparentes ao ar que as envolve e torna possíveis. Portanto, mais perto da vida.

É por isso, talvez, que depois da metafísica e da teologia que morreram ou que estão morrendo asfixiadas pela falta de ar sobra para a nossa alegria e fruição a arte. A metafísica e a teologia morreram ou estão morrendo porque foram encerradas em grandes caixas de metal cuidadosamente fechadas com ferrolhos e parafusos de dogmas racionais, de princípios e de fundamentos sólidos e irrefutáveis e de certezas feitas de chumbo. Foram, além disso, embaladas em sistemas feitos de tecidos infalíveis e eternos, e de postulados entrincheirados em silogismos e conceitos puros. A história da metafísica e da teologia conseguiu produzir dentro dessas caixas o vácuo da academia. São containers sem ar.

A arte é ainda o lugar que sobra em nosso mundo para a respiração. É a clareira de que fala Heidegger, possível de ser encontrada depois de se percorrer a floresta cheia das sombras do pensamento puramente racional.

O espírito e a arte relacionam-se com o rito porque nele, celebra-se gratuitamente, o estar-no-mundo. Nossos rituais estendem-se desde os religiosos até os sociais e comemorativos. São as liturgias quando libertadas dos livros de reza, os festejos populares quando desvencilhados das manipulações do comércio, e os atos de amor quando libertados das regras heterônomas impostas pelo moralismo e pelo puritanismo de igrejas e grupos sociais. A gratuidade dos ritos pode derrubar a tirania dos que querem submeter a vida humana a leis e a dogmas que contrariam a vida e o prazer de viver.

O rito é, pois, obra de arte.

Um aluno de filosofia me perguntou, à queima roupa, que era arte. Fiquei perturbado porque não queria cair na armadilha metafísica da estética e lhe dar uma definição. Escrevi-lhe, então, o seguinte:
arte é o que a gente faz quando não tem nada para fazer
e faz apenas porque sente vontade de fazer o que vai fazer
não importa o que se faz
se pego uma pedra e tenho vontade de tirar uma lasca dessa pedra
eu tiro essa lasca e isso é arte
mas se eu não pego essa pedra e não tiro essa lasca
então não fiz arte
a arte é pois inteiramente inútil
não serve para nada que seja necessário
muito embora esse fazer acabe sendo uma espécie de impulso
sem o qual eu não saberia viver
nesse caso a arte passa da inutilidade
para a realização do que em mim não tem nenhum sentido
é parecida com o brinquedo
a diferença é que o brinquedo não foi feito por mim
a arte é o que eu faço quando não tenho nada para fazer
nada que venha de fora por imposição ou dever
a arte não tem dever
não é ética
ir ao cinema, por exemplo, não é arte
é apenas fruição da arte que um outro que não eu fez
mas a fruição da arte é também inútil
a não ser se considerarmos útil a fruição
ela só serve para ser fruída
e termina aí
fazemos usos da arte
mas os usos da arte não são arte
são apenas seus usos
e o artista não tem controle sobre eles

O autor foi editor da revista Correlatio e professor de hermenêutica e estética no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da UMESP. Foi Presbítero da IEAB.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

CARTA ABERTA DE DOM GLAUCO SOARES DE LIMA.



CARTA ABERTA DE DOM GLAUCO SOARES DE LIMA:

UM TESTEMUNHO
Este testemunho é dirigido às pessoas sadias, honestas e de boa vontade que ainda existem na IEAB e fora dela.
Antecedentes e Fatos

No dia 08/09/12 recebi a notícia que em Concílio da DASP o Rev. Flávio Irala havia sido eleito Bispo da mesma por 19 a 18 votos na ordem leiga e 15 a 13 votos na ordem clerical.
Diante da notícia a minha primeira atitude foi lhe telefonar e cumprimentá-lo desejando-lhe um bom episcopado.
No dia seguinte (09/09/12) soube que tal eleição havia sido maculada por inúmeras irregularidades tais como fraudes, coações, ameaças a alguns eleitores.
Acresça-se a isso a exígua maioria simples nas duas ordens, o que, convenhamos, embora canônica, não deveria existir na escolha de um bispo que é líder e pastor de toda uma Diocese, o que independentemente de nomes, deve supor um consenso que só uma maioria absoluta (montante de 2/3) deveria proporcionar.
O bispo diocesano (Roger Bird) resolveu anular a eleição, decisão com a qual eu concordei.
Depois disso, o que tem havido através da internet foram acusações e baixarias em linguagem sórdida e vil que eu não admitiria nem entre pessoas civilizadas, quanto mais entre cristãos. Diga-se, de passagem, que estas ofensas e insultos, em sua maioria, partiram de pessoas da igreja oficial, tanto da diocese, como de outras partes. A situação se agravou ao ponto de ir parar na justiça civil, o que é lamentável para uma entidade cristã.
Como consequência de tudo isso, decidi apoiar os dissidentes, visto que, acima de tudo, eu sou pastor e nesta hora difícil, fiquei ao lado daqueles para quem eu sou amigo e que estão sob os meus cuidados pastorais. Por conta os ódios se voltaram contra mim também. Fizeram-me acusações às quais não respondo, pois estou em paz com a minha consciência e com Deus.

Minha Interpretação

As pessoas atingidas, a partir do Rev. Aldo Quintão, são pessoas que cumprem com fidelidade o seu ministério e com as quais partilho meu respeito e consideração.
O Rev. Aldo é um sacerdote que tem qualidades e defeitos como todos nós. Ele tem um grande dom que é o seu carisma de atrair pessoas e formar uma grande congregação (o que é bom para a evangelização). Por causa disso ele atraiu uma doentia inveja da parte de outros clérigos colegas seus, que não tendo esses dons se veem frustrados frente ao seu indiscutível sucesso.
Ora, tudo isso é doença. Doença existencial, o que tristemente me faz constatar que a minha querida IEAB está doente e decadente. Está doença atinge desde a cúpula (Câmara dos Bispos) até a sua base, ou seja, clérigos e leigos que, sem estarem bem informados, fizeram julgamento sobre seus irmãos a quem consideram cismáticos.
Tudo isso é triste e fez com que eu peça que o Senhor cure esta gente que tanto necessita de cura divina.
São Paulo, 06 de maio de 2013.

+ Glauco Soares de Lima
Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo de 1990 - 2002; Bispo Primaz do Brasil de 1993 – 2003.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Reflexões sobre o Pai-Nosso





Uma conversa com o Ex-Arcebispo de Cantuária, Sua Graça D. Rowan Williams.



“Se alguém me pedir para fazer um resumo da fé cristã nas costas de um envelope, o melhor que eu poderia fazer seria escrever o Pai-Nosso”. Rowan Williams



Uma visita monitorada pelo Pai-Nosso



“Pai Nosso”
Pertencer à família de Deus

Se você analisa o Pai-Nosso por partes você dificilmente vai achar alguma parte que não encontraria em algum lugar do Velho Testamento ou em orações judaicas.

O que é absolutamente único nele, na minha opinião, é essa introdução simples “Nosso Pai” e nada mais. Nada muito elaborado ou grandioso, apenas como que se dirigindo ao pai da família.

Desse modo, então, o ponto mais marcante é que todas as partes do Pai-Nosso são colocadas nesse contexto. Essa é a oração da família de Deus. Nessa oração você se dirige a Deus com toda a intimidade, não lhe dizendo quão maravilhoso ele é, nem se prostrando perante ele de algum modo, mas se chegando a ele com inteira confiança.

E eu penso que na época de Jesus isso deve ter soado um pouco estranho, talvez até chocante.

De fato, a única coisa que todos se lembravam das preces de Jesus é que ele chamava Deus de “Pai”, “Abba”, a palavra em sua língua tão conhecida e íntima.

Ele não começa chamando Deus de “Senhor” ou “Mestre” ou “Criador”; ele inicia chamando-o de Pai.

E no Evangelho de São João, quando Jesus encontra Maria Madalena após a Ressurreição, ele diz: “Eu estou ascendendo ao meu pai e ao seu pai”.
Relações de família

Quando Jesus fala de “pais” e filhos” no meu modo de ver ele nos dá exemplos desses relacionamentos.

Pense na estória do filho pródigo...O filho que fica na casa dos pais na realidade nunca se torna um adulto. O filho que sai e se aventura, comete erros, aprende, pede desculpas, volta: seja de um modo ou de outro, ele cresce. Ele é um filho adulto do pai.

E a mim me parece que os ensinamentos de Jesus e os ensinamentos de São Paulo nos dizem que depender de Deus completamente, como de um pai, não é ficar preso em uma dependência infantil. É sim, ser capaz de correr riscos, sabendo que o Pai sempre estará lá para perdoa-lo e para lhe oferecer um novo começo.

E é assim que a gente cresce. É como a gente se torna adulto de verdade. E eu não creio que nem Jesus, nem São Paulo, nem ninguém do Novo Testamento nos quer infantis no nosso relacionamento.

E a própria vida de Jesus é a referência para isso. Ele está completamente dependente de Deus, e ao mesmo tempo, é tão livre como alguém pode ser. Livre para correr riscos; livre para encarar o sofrimento e a morte porque o Pai está lá, “Pai” é o que ele diz na cruz. “Pai, em tuas mãos eu deposito o meu espírito”.

E quando dizemos as palavras “Pai Nosso” nós devemos talvez pensar naquele pequeno incidente da Ressurreição, onde Jesus diz para um amigo e seguidor, a relação que eu tenho com Deus pode do mesmo modo também ser a sua relação com Deus. Você e eu juntos formamos um Nós para Deus.

E assim, quando você diz as palavras iniciais “Pai Nosso”, você está dizendo: Eu recebi uma participação na relação de Jesus com Deus. Eu não tenho que entender a minha relação com Deus como partindo da estaca zero. Eu não tenho que subir uma longa escada para o céu, eu fui convidado para essa relação de família, e esse é o presente com o qual toda oração se inicia.

Deste modo, estas palavras com as quais começamos, nos dizem muito a respeito de quem nós somos como cristãos e sobre as nossas doutrina e fé cristãs.


“Que estás no céu”

Quando nós continuamos e dizemos “que estás no céu”, nós estamos dizendo Céu, o lugar de Deus, o lar de Deus também é o nosso lar.

Em uma de suas cartas São Paulo diz “a nossa nacionalidade é celestial”; ou seja, pertencemos ao céu.

E o tipo de relacionamento que acontece junto com Deus no céu é um relacionamento de amor e confiança e intimidade e louvor, que pode ser nosso aqui e agora.

Palavras curtas e simples mas suficientes para nos dizer que o céu está aqui na terra por causa de Jesus e que nós podemos entrar nele.


“Santificado seja o teu nome”

“Santificado seja o teu nome” é uma das frases que nos parecem um pouco estranhas, não é mesmo? Eu tento visualiza-la contra o pano de fundo da idéia existente no Velho Testamento de que o nome de Deus é, em si próprio, imensamente bonito e poderoso. O nome de Deus é a palavra de Deus, é a presença de Deus.

E quando pedimos para santificar-se o nome de Deus, que o nome de Deus seja visto como santo, estamos pedindo que as pessoas no mundo pensem na presença de Deus entre eles com assombro e reverência, e que não usem o nome ou a idéia de Deus como uma arma para criticar as outras pessoas, ou como um tipo de mágica para se sentirem seguros. Mas sim, se aproximar da idéia de Deus, do nome de Deus, com a veneração e a humildade exigida.

O mandamento de não tomar o nome de Deus em vão, dos Dez Mandamentos, nos textos judeus ao tempo de Jesus, é muitas vezes pensado juntando-se o nome de Deus com uma maldição = usando-se o nome de Deus como se fosse uma palavra mágica = ; isso é banalizar o nome de Deus, é rebaixa-lo ao nosso nível, é tentar transformar Deus em uma ferramenta para o nosso uso.

“Santificado seja o teu nome” então quer dizer: compreenda o que você está falando quando você está falando de Deus, isso é sério, essa é a realidade mais maravilhosa e assustadora que nós poderíamos imaginar, mais maravilhosa e assustadora que nós podemos imaginar.

E o mais extraordinário é que nós podemos nos dirigir a Deus como Pai.


“Venha a nós o teu reino”

A idéia da vinda do reino estava muito próxima da pregação central de Jesus.

O reino não é um lugar ou um sistema; é um estado de atuação quando Deus está no comando. É o ato de reinar de Deus, por assim dizer. É o estado no qual se reconhece Deus na direção e dando sentido a tudo.

Deste modo, nós oramos “Venha a nós o teu reino” querendo dizer que o mundo seja transparente para Deus, que a vontade e o propósito de Deus e a natureza de Deus se mostrem em todo o seu estado de atuação, porque isso é o que significa ser rei para Deus.

Não é Deus dando ordens à torto e à direita, mas Deus sendo visível em todos os lugares, Deus se mostrando através das coisas em sua glória.

“Venha a nós o teu reino” está dizendo que o mundo se abra à profundidade do amor de Deus, que é o que realmente está na raiz de tudo.

E é o próprio Jesus que nos conta que o reino chega de modos inesperados, ele não chega junto com um grande estalo de trovão no fim dos tempos, ele cresce secretamente no nosso interior. Ele aparece em momentos pequenos e peculiares, quando as pessoas fazem coisas extraordinárias, correm riscos extraordinários e aí você pensa, sim, esta é uma vida através da qual Deus está se revelando.

E novamente as parábolas de Jesus nos falam de pessoas que desistem de tudo após um vislumbre do Reino; eles vislumbram a beleza de Deus.

Então, é isso que estamos pedindo, que o mundo mostre Deus, que Deus se mostre.


“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”

“Seja feita a tua vontade” é muito parecido com “Venha a nós o teu reino”, é um trecho típico de poesia hebraica, o paralelo entre as duas partes da frase.

Aí nós estamos pedindo que todo o universo reaja ao presente de Deus do mesmo modo.

Nós estamos orando na versão elaborada do antigo Livro de Oração Comum; o mesmo modo que os anjos de Deus agem no Céu, nós podemos espelhar essa ação aqui na terra.

E assim dizemos que, por todo o universo a glória de Deus e a beleza de Deus são refletidas de volta para ele através das estrelas e dos planetas, pelas plantas e pelos animais ao nosso redor. O fato das coisas serem como são refletem a glória de Deus e a vontade de deus.

Infelizmente nós, seres humanos, temos uma certa falta de sensibilidade à vontade de Deus; nós temos que aprender a cantar em conjunto sem desafinar.

Em algum lugar, em um outro nível de realidade, a vontade de Deus se faz. Não muito bem entre nós, seres humanos, aqui na terra, e então nós estamos pedindo para ficarmos afinados, que não sejamos só nós cantando desafinados no grande coro do universo.


“O pão nosso de cada dia nos dás hoje”

Rios de tinta já foram gastos a respeito do significado exato de “o pão nosso de cada dia nos dás hoje”, porque a palavra originalmente usada em grego é uma palavra muito, muito estranha, que raramente a gente vai achar em algum outro lugar.

Provavelmente significa de cada dia, provavelmente significa a matéria que nós precisamos para sobreviver, mas algumas pessoas na igreja primitiva entendiam como sendo o pão que queremos para amanhã ou mesmo o pão de amanhã, “dá-nos hoje o pão de amanhã.”

E eles pensavam que isso poderia significar nos proporcionar hoje o sabor do pão que iremos comer no Reino de Deus. Deixe-nos experimentar o gostinho do grande banquete e da celebração quando o universo converge por Cristo na presença de Deus, o Pai.

E para muitos cristãos isso tem a ver com a Santa Comunhão. Claro, de um certo modo a Santa Comunhão é pão para hoje, é sim o nosso pão de cada dia, é a comida que precisamos para ir em frente; mas é também a antecipação do sabor do pão do céu, uma antecipação do sabor do prazer da presença de Jesus no céu à sua mesa, em seu banquete, como está nos evangelhos.

Observam-se assim muitos significados, muitas camadas. Mas eu não acho que a gente precisa se ater a apenas um significado específico. Este significado simplificado vamos em frente, dá-nos o que precisamos é tudo o que precisamos para continuar indo em frente. E aí, quando continuamos a analisar, então nós nos perguntamos: e aí, o que é que nós realmente precisamos?

Nós não “vivemos apenas de pão”, disse Jesus, “mas de todas as palavras que vêm da boca de Deus”.

Nós não vivemos apenas no processo de satisfazer as nossas necessidades materiais; nós precisamos mais do que isso, e uma das coisas que mais precisamos é esperança, a esperança para o futuro.

E então aí de algum lugar começa a surgir a forma de uma idéia, a sombra da idéia de que isso também é pão para amanhã, o pão de amanhã.



“Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós também perdoamos aos nossos devedores”

“Perdoa as nossas dívidas” de certo modo é a parte mais difícil do Pai-Nosso porque nos diz claramente que orar é também querer modificar-se.

E é preciso muita coragem para colocar-se frente a Deus e dizer perdoe-me porque eu perdoei alguém. E eu nem sempre me sinto na posição de fazer esse tipo de exigência para Deus. Eu acho que, na realidade, esta parte está nos dizendo que, pensando como Deus nos perdoa então nós aprendemos a perdoar.

Isso nos faz lembrar que a nossa capacidade de perdoar vem do fato de que nós estamos conscientes do perdão de Deus para conosco e que nós nunca conseguiremos perdoar ninguém enquanto isso não for totalmente compreendido. E não vale a pena nos dirigirmos a Deus falando me desculpe, eu ainda nem comecei a ouvir o que quer dizer perdão, eu não sei o que esta palavra significa.

Jesus nos conta aquela ótima estória do servo do rei, ao qual é perdoada a sua dívida e que, logo em seguida, esse mesmo servo coloca outro na prisão por uma dívida de pequeno valor. E ele sublinha o ponto de que você não pode receber perdão se você mesmo não perdoa; você se faz incapaz de receber perdão.

De um certo modo é um círculo vicioso de eu não perdôo eu não posso ser perdoado. Se eu não consigo escutar a palavra de perdão e deixa-la realmente me modificar, então eu não serei capaz, eu não serei livre para perdoar; essa é uma oração muito séria sobre o perdão.

Existe uma imagem maravilhosa sobre isso, de um dos primeiros pais da igreja. Ele nos diz que é como tentar ensinar a uma criança como fazer algo. O pai faz isso com cuidado várias vezes. Aí, ele pára e diz agora você faz sozinho. Deus nos perdoa e então pára e diz agora você me mostra como se perdoa.


“E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”

Em primeiro lugar eu acho que nós podemos ver isso no contexto do tempo de Jesus.

Os seus ensinamentos muitas vezes tocam nesse ponto, de que está chegando um grande tempo de julgamento. Um tempo no qual a gente vai descobrir do que a gente é realmente capaz, como muitas vezes se diz, de que você só sabe do que alguém é realmente capaz de fazer quando está sob pressão. Estamos indo em direção a um tempo no qual você vai ter que decidir o quanto Deus é importante para você; você vai ter que colocar a sua vida no jogo de verdade.

E Jesus como que nos diz não pense que você sabe a resposta para este tipo de questão. Não tenha tanta certeza de que você sabe o quanto você é realmente capaz. Peça para que você tenha os meios necessários para lidar com o julgamento que está vindo, que é quando as coisas vão ficar realmente difíceis.

As palavras “não nos deixe cair em tentação” parecem que não exprimem bem esse pensamento porque tentação, para nós, no geral significa apenas um tipo de impulso para fazer coisas pecaminosas ou indignas.

Mas a palavra tem um significado muito maior quando vista em seu contexto: ela se refere a esse enorme julgamento que está chegando, a essa enorme crise que está chegando. Não nos coloque na crise, Deus, por favor não nos empurre para o tempo da crise antes de nos deixar bem preparados para ela. Não nos leve para lá antes de nos dar o que necessitamos para encara-la.

E eu acho que é uma oração muito boa de ser feita, porque existem, para todos nós, tempos de crise nos quais a gente se vê como a gente realmente é, e isso nem sempre é agradável e nós nos damos conta de que não estamos à altura dela.

Deste modo, vale a pena pedir a Deus dê-nos o que nós precisamos para enfrentar a crise quando ela chegar, e Deus, por favor, não deixe que nós sejamos colocados nela muito cedo.

E então, novamente, está conectado com livra-nos do mal, liberte-nos. Livra-nos de todas estas coisas, os medos, os pecados, os hábitos egoístas que nos mantém prisioneiros e que nos tornam incapazes de enfrentar a crise.

Novamente, provavelmente o significado original era salve-nos do Maligno. Pois são nos tempos de crise que o Diabo, o inimigo da humanidade, aproveita para agir. Ele deve estar se divertindo agora, porque em tempos cheios de medos e de inseguranças o Diabo aproveita para nos manipular, intensificando e reforçando o que há de mais não-humano em nós.

E as pessoas de agora podem ou não acreditar no Diabo como um ser; mas eu acho que essa idéia faz sentido, o princípio ou o poder do mal vindo para se aproveitar da nossa fraqueza e do nosso medo. E eu posso muito bem pedir que me livrem disso.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

No princípio, Deus.



“No princípio Deus”. As três primeiras palavras da Bíblia são mais que uma introdução à história da criação ou ao livro de Gênesis. Elas fornecem a chave que abre a nossa compreensão da Bíblia como um todo, revelando-nos que na religião bíblica a iniciativa é de Deus.

Ninguém consegue surpreender Deus. Não podemos nos antecipar a ele. Ele sempre faz o primeiro movimento. Ele está sempre ali, “no princípio”. Antes que o homem existisse, Deus agiu. Antes que o homem se movesse para buscar a Deus, Deus buscou o homem. A Bíblia não mostra o homem tateando em busca de Deus; o que vemos é Deus alcançando o homem.

Muitas pessoas imaginam Deus como alguém assentado confortavelmente em um trono distante, remoto, isolado, desinteressado e indiferente às necessidades dos mortais, até que alguém consiga aborrecê-lo a ponto de fazê-lo agir em seu favor. Uma visão assim é totalmente falsa. O Deus revelado pela Bíblia é um Deus que saiu em busca do homem, muito antes que o homem pensasse em voltar-se para Deus. Enquanto o homem ainda estava perdido na escuridão e mergulhado no pecado, Deus tomou a iniciativa, ergueu-se de seu trono, deixou de lado a sua glória, e inclinou-se para procurá-lo, até encontrá-lo.

A iniciativa e a soberania de Deus podem ser vistas em várias situações. Ele tomou a iniciativa na criação, trazendo o universo e seus elementos à existência: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. Ele tomou a iniciativa na revelação, manifestando à humanidade sua natureza e sua vontade: “Havendo Deus outrora falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho”. Ele tomou a iniciativa na salvação, vindo em Jesus Cristo para libertar homens e mulheres de seus pecados: “[Deus]… visitou e redimiu o seu povo”.



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Rev. John Stott

– Trecho do capítulo 01 (“A abordagem correta”) de Cristianismo Básico, Editora Ultimato, março de 2007.

domingo, 28 de abril de 2013

Sob a Palavra, no mundo.



Começo com um comprometimento com a Bíblia como “Palavra escrita de Deus”, que é a sua descrição nos artigos anglicanos e como ela tem sido recebida por quase todas as igrejas até recentemente. Essa é a pressuposição básica deste livro; não faz parte do meu objetivo aqui argumentá-la. Mas nós, cristãos, temos um segundo comprometimento, com o mundo no qual Deus nos colocou. E nossos dois compromissos muitas vezes parecem conflitantes. Por ser uma coleção de documentos que se relacionam a eventos distantes e particulares, a Bíblia dá uma impressão arcaica. Parece incompatível com nossa cultura ocidental, com suas sondas espaciais e microprocessadores. Como qualquer outro cristão, me sinto preso na dolorosa tensão entre esses dois mundos. Eles estão há séculos de distância. Todavia, tenho procurado resistir à tentação de me afastar de qualquer um deles em sujeição ao outro.

Alguns cristãos, ansiosos, sobretudo por serem fiéis à revelação de Deus sem concessões, ignoram os desafios do mundo moderno e vivem no passado. Outros, ansiosos por reagir ao mundo ao seu redor, podam e torcem a revelação de Deus em sua procura por pertinência. Tenho lutado para evitar ambas as armadilhas. Pois o cristão tem uma condição livre, que lhe permite não se render à antiguidade nem à modernidade. Pelo contrário, tenho procurado com integridade submeter tudo à revelação de ontem, dentro das realidades de hoje. Não é fácil aliar lealdade ao passado com sensibilidade ao presente. Porém, esse é o nosso chamado cristão: viver, sob a Palavra, no mundo.


John Stott – Trecho do Prefácio da primeira edição de “Issues Facing Christians Today”.

sábado, 27 de abril de 2013

Salve John Stott!


Rev. John Robert Walmsley Stott, (27 de abril de 1921 – 27 de julho de 2011 ) foi um líder anglicano britânico, conhecido como uma das grandes lideranças mundiais. Foi um dos principais autores do pacto de Lausane, em 1974. Em 2005, a revista Time classificou Stott entre as 100 pessoas mais influentes do mundo. Obra: Serviu como Presidente da All Souls Church em Londres desde 1950. Estudou na Trinity College Cambrigde, onde se formou em primeiro lugar da classe tanto em francês como em teologia, e é Doutor honorário por varias universidades, na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá. Uma de suas maiores contribuições internacionais são seus livros. John Stott começou sua carreira de escritor em 1954, publicando mais de 40 livros e centenas de artigos, além de outras contribuições à literatura cristã.

sexta-feira, 12 de abril de 2013


A Presença Anglicana em Franca SP, vinculada pastoralmente e espiritualmente à Paróquia de Todos os Santos(All Saints´Church), à Catedral Anglicana de São Paulo e aos Bispos Anglicanos Dom Roger Douglas Bird e Dom Glauco Soares de Lima, referenda o comunicado emitido pela Junta paroquial da Catedral no dia 17 de março de 2013. Reafirmamos a nossa pertença à Comunhão Anglicana, através dos laços fraternais que unem a Comunidade Anglicana de Franca com a Catedral Anglicana de São Paulo.

nEle,
Tiago Bastos, OSB. Ministro associado da Paróquia Anglicana de Santos-SP.

domingo, 31 de março de 2013

MENSAGEM DA PÁSCOA


REVERENDO LEANDRO CAMPOS,OSB “Ele não está aqui, mas ressuscitou.” Lc 24.6 Há cerca de 15 anos conheci o Anglicanismo, eram outros tempos... Nossa família tinha uma liderança carismática e internacionalmente respeitada na pessoa do Bispo Dom Glauco Soares de Lima, que me acolheu no anglicanismo. A Paróquia Anglicana de Santos, originalmente All Saints´ Chaplaincy - Church of England, manteve ininterrupta seu atendimento à colônia de língua inglesa, consulados, e comunidade internacional presente em Santos. Vivemos intensamente servindo à Igreja para sua edificação no seguimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e com alegria temos visto seus frutos pela assistência aos serviços dominicais (inglês/português) da Santa Eucaristia, Batizados e Casamentos, além de eventual assistência aos fiéis hospitalizados. Mais e mais nossa Comunidade tem ganhado credibilidade junto às instituições religiosas e órgãos públicos e iniciativa privada. Nossos cursos de idiomas, nossos cursos de evangelismo, nossas ações de solidariedade às crianças e nossas campanhas em socorro das vítimas de catástrofes tem sido o melhor testemunho de nossa sólida formação e vivência evangélica. Passamos por uma penumbra, uma nuvem passageira, que ocultou a luz do sol, mas que não foi capaz de impedir que ela voltasse a brilhar sobre nós, nossa comunidade e nossa cidade. Os desafios tem nos tornado mais fortes e e mais fiéis a Cristo e sua mensagem com desapego as instituições carcomidas pela hipocrisia e inveja doentia. Com a Ressurreição do Senhor proclamamos que mudanças são bem-vindas quando a Justiça e a Verdade são valores inegociáveis. Nosso compromisso é acolher a todas as pessoas e mostrar a face de um Deus misericordioso. E, isso todas as pessoas podem comprovar seja pela nossa pregação, seja pela nossa prática. A todas as gerações de Anglicanos, e de colaboradores desejamos uma Feliz Páscoa, uma mensagem de Vida, de Paz e de Superação para todos. Que a constatação da verdade da fé de que Jesus não encontra-se mais no túmulo porque Ressuscitou seja para todos nós uma boa nova de esperança!

terça-feira, 19 de março de 2013

Dom Roger Bird, Bispo.


Dom Roger Bird foi eleito bispo diocesano(DASP)no concílio extraordinário realizado em 07 de junho de 2007, em São Paulo. Foi ordenado diácono em 1989 e presbítero em 1990. É bacharel em Ciências, especializado em matemática aplicada e estatística. Sua formação teológica foi realizada no I.A.E.T. em São Paulo sob a coordenação de D. Sumio Takatsu e no Seminário Episcopal Divinity School, nos EUA. Quando foi eleito, exercia seu pastorado na capital paulista como Reitor e Deão Reitor da Igreja de São Paulo (Saint Paul's Church).Dom Roger é natural de São Paulo, SP, porém, foi criado na África do Sul onde viveu por 20 anos. É casado com a Sra. Elizabeth Alison Bird há 35 anos, pai de 3 filhos e tem duas netas.

domingo, 14 de outubro de 2012

Anglicanismo

Unidade e Diversidade, a nossa Identidade Episcopaliana

Por Luiz Caetano, ost + Uma dificuldade que as pessoas hoje têm de compreender o sentido de unidade da Igreja de Cristo deve-se ao fato de haverem muitas denominações cristãs, diferentes Igrejas. Entretanto, essa diversidade é salutar! A gente precisa entender bem essa questão da “divisão” da Igreja. Não é verdade que a Igreja Primitiva era uma coisa só. Não era! Havia uma variedade na forma de organização e na liturgia. Desde do início da expansão missionária a partir da Igreja de Antioquia, que envia Paulo e Barnabé em Missão por ordem do Espírito Santo (cf. Atos 13.1-3), o cristianismo começou a dialogar com culturas e povos diferentes daquele ambiente nativo dos primeiros apóstolos. Nesse sentido, o Apóstolo Paulo logo compreendeu que a grandeza do Evangelho não se limitava aos preceitos do judaísmo, e que o Evangelho é de fato uma Boa Nova para todos os povos. A expansão do Evangelho entre os povos pagãos do Império Romano, especialmente no ambiente marcado pelo helenismo, obrigou a Igreja em Jerusalém rever suas posições em relação às práticas judaicas; tal revisão aconteceu no que chamamos de Concílio de Jerusalém, narrado em Atos dos Apóstolos (15.1-33), provocada pela própria Igreja de Antioquia, a grande igreja missionária que, movida pelo Espírito Santo, deu início à evangelização do mundo gentílico: as comunidades que surgem a partir do movimento de Antioquia já não eram formadas apenas por pessoas de tradição judaica, mas também por gentias, ou seja, não judias. Assim, cerca de 40 anos após a Ressurreição de Jesus já haviam “duas igrejas”: a Igreja de Jerusalém e suas comunidades filhas, de forte orientação judaica, que se confundia inclusive com as sinagogas; e a Igreja Gentílica, cujos procedimentos, especialmente em relação aos usos e costumes, eram bem distintos. Todavia, não eram “duas igrejas” mas uma única Igreja, com características diferentes. Nem sempre o convívio entre as duas correntes era pacífico. Haviam, naturalmente, escaramuças, mas o senso de unidade era assegurado pela relação afetiva e companheira entre os apóstolos (não só os 12, mas todos aqueles que pregavam o Evangelho sendo testemunhas da Ressurreição). Varias fontes não bíblicas, mas reconhecidamente validadas pela Historiografia, relatam o surgimento de comunidades cristãs fora do Império Romano, no interior da Ásia e até na Índia. Isso amplia muito nossa percepção da diversidade da Igreja ao final do primeiro século cristão. Ao final do séc. III e início do IV, a Igreja estava organizada, pelo menos dentro do Império Romano, com as ordens clericais e a divisão territorial das dioceses (uma unidade territorial do Império), sendo que os Bispos das cidades maiores eram chamados Arcebispos ou Metropolitas, e a eles se subordinavam, de forma afetiva e pastoral os bispos das cidades menores circunvizinhas; em caso de discordância doutrinária, por exemplo, os Metropolitas serviam como árbitros e convocavam concílios regionais para acertar o passo. A Igreja do Ocidente Com a derrocada do Império no ocidente, a Igreja se tornou a única instituição estável dentro do caos social e político que se criou. Os Metropolitas ganharam força política e o Metropolita da antiga Capital Imperial, Roma, acabou se tornando o mais importante. A agregação hierárquica a partir do Bispo de Roma acabou se consolidando em meados do século VI, e a Igreja Ocidental foi se tornando cada vez mais monolítica e padronizada. Vários concílios foram consolidando as formas estruturais e o corpo doutrinário, fixando a identidade da Igreja Latina, que hoje conhecemos como Igreja Católica Romana. No Oriente, onde ainda sobrevivia o Império, a Igreja se manteve dentro do antigo padrão dos Patriarcados organizados em arquidioceses e dioceses interdependentes, mas distintos. O Patriarca Romano se tornou, todavia, o Chefe absoluto da Igreja Ocidental assumindo a Igreja o papel político de polo unificador do Ocidente retalhado em feudos. Todavia, no Ocidente, essa concentração hierárquica vertical e o corpo doutrinário fechado, não foi bem acolhida entre os diferentes povos que então ocupavam, de forma autônoma, o antigo território imperial. No seio das dioceses havia o descontentamento e movimentos de defesa da autonomia, bem como diferentes formas de pensar teológico, nem sempre fiéis à dogmática imposta. Assim, por exemplo, a antiga Igreja dos Celtas, na Grande Bretanha, submeteu-se sob a força dos exércitos saxões ao Bispo de Roma, mas manteve em seus porões sua antiga tradição que provinha da Igreja do Oriente, mesclada com a cosmovisão da Antiga Religião. O mesmo aconteceu entre os povos da Gália (hoje parte da França), e no interior da Europa Central, que ao contrário dos eslavos a nordeste e sudeste, não foram evangelizados pelos Orientais (essa a origem da Igreja Ortodoxa Russa, por exemplo). No decorrer da Idade Média houveram muitos movimentos de reforma da Igreja Ocidental. A Reforma do século XVI foi a que obteve maior êxito, criando novas formas de ser Igreja: a Igreja Evangélica (alemã) e a Igreja Reformada (suíça). É preciso ter claro que tais Igrejas não saíram da comunhão com Roma, mas foram excomungadas por Roma, criando assim a divisão que perdura até hoje no Ocidente. Todavia, as diferentes Igrejas que, a partir dai, surgiram, de cunho nacional e/ou étnico, sempre tiveram a consciência de serem partes da Igreja Una, Santa, Católica(no sentido de ser de todo o mundo = ecumênica = oikomene) e Apostólica de Jesus Cristo. A origem da Igreja Episcopal Quando, por razões de Estado, a Igreja da Inglaterra se torna autônoma em relação ao Papado, o processo de sua reorganização só se consolida no reinado de Elizabete I, formando-se assim a Igreja Nacional e Estatal que é, até hoje, a Church of England, acolhendo em seu seio as diversas tonalidades cristãs que existiam na Inglaterra, e ao mesmo tempo permitindo a organização de “Igrejas Livres” (sem a tutela do Estado), dando origem por exemplo, às Igrejas Congregacionais e às Igrejas Batistas. Assim, se em seu início a Igreja da Inglaterra era muito marcada pela diversidade teológica, também preservou a riqueza litúrgica herdada da Igreja Latina, mas com as adaptações decorrentes da Tradição Celta que, de certa forma, veio do Oriente. Na Escócia, a Igreja lá existente no século XVI era profundamente influenciada pelo calvinismo. Assim, organiza-se a Igreja Presbiteriana, que ficou sendo chamada de Igreja da Escócia (The Church of Scotland) . Todavia, nem todos aceitaram uma organização presbiteriana-congregacional e adotaram o episcopado histórico. Surge assim a Igreja Episcopal da Escócia (The Scottish Episcopal Church ou na língua original, Eaglais Easbaigeach na h-Alba), fortemente marcada pela teologia de Genebra, mas também buscando manter seu laço com o episcopado histórico, a exemplo da Igreja da Inglaterra. Essa Igreja acaba adotando o Livro de Oração Comum escrito pelo Arcebispo Laud, o qual contém muito do Livro original elaborado pelo Arcebispo Cranmer e se afasta do modelo presbiteriano definitivamente. Todavia, ainda hoje na Escócia, as duas Igrejas Nacionais convivem e em muitas situações se articulam de forma conjunta. Quando as Colônias Inglesas na América do Norte se tornam independentes, dando origem aos Estados Unidos da América, houve a preocupação de organizar-se uma Igreja Protestante Nacional, porém não dependente do Estado recém fundado. Naquele tempo, nos territórios coloniais, haviam diferentes denominações cristãs, traduzindo, de certa forma a mesma diversidade que existia na Metrópole. Houve um movimento procurando unir tais diferentes denominações em uma Igreja Nacional, e chegou-se ao consenso de adotar-se o modelo episcopal, mas manteve-se a liberdade dos grupos que não aceitaram unir-se à Igreja Nacional nascente. Uma vez decidido que a Igreja Nacional teria um governo episcopal, necessário foi buscar a sagração de seu primeiro bispo de modo a garantir o Episcopado Histórico à nova Igreja. Naturalmente, isso foi buscado junto à Igreja da Inglaterra, mas devido às circunstâncias da Independência e o fato da Igreja inglesa ser estatal – isto é, vinculada à Coroa Britânica e ao Parlamento – os norte-americanos foram aconselhados a buscar o Episcopado Histórico entre os escoceses, sendo prontamente atendidos. Assim, o primeiro bispo da Igreja Protestante Episcopal dos Estados Unidos da América foi sagrado por bispos escoceses. Mas o segundo e o terceiro bispo já foram sagrados por ingleses, de forma que conseguiu-se manter uma certa unidade de comunhão apostólica entre a nova Igreja e a Igreja da antiga metrópole, e também com a Igreja escocesa. Ai está a gênese da Comunhão Anglicana, que se consolida no século XX! Como a Igreja da Inglaterra, a Igreja Episcopal dos Estados Unidos nasceu com uma rica diversidade de formas e compreensões teológicas em seu seio, pois incorporou diversas tendências teológicas e litúrgicas, decorrentes do processo de união da qual nasceu. Sua unidade, como na Igreja da Inglaterra, é fundamentada no Livro de Oração Comum como manual litúrgico aberto (uma diversidade de formas cerimoniais para executar seu conteúdo ritual) e no pacto estabelecido no século XIX conhecido como Quadrilátero de Lambeth-Chicago; tal unidade garante a diversidade, que se torna parte de sua própria identidade. Hoje essa Igreja Nacional (mas não estatal) dos Estados Unidos, é chamada The Episcopal Church (TEC). Há várias formas de expressão dentro da Igreja Episcopal. Há os evangélicos, os evangelicais, os mais conservadores, os mais liberais, os mais litúrgicos, os teologicamente mais próximos de Roma, os mais próximos da Tradição Reformada e todas os possíveis entrelaçamentos dessas expressões. Sempre houveram tensões entre as diferentes ênfases; não é de hoje, e isso às vezes causou rupturas na unidade, através de cismas e formação de novas denominações. Outras vezes grupos se deligaram da Igreja mas decorrido o tempo de uma ou duas gerações retornaram… essa dinâmica é própria de uma Igreja que se recusa adotar posturas dogmáticas e depender de uma hierarquia absolutista verticalizada. É essa Igreja que chegou ao Brasil em 1890, através de Morris e Kinsolving, e que deu origem à Igreja Protestante Episcopal no Rio Grande do Sul, depois Igreja Episcopal Brasileira, depois Igreja Episcopal do Brasil e agora Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que é autóctone, autônoma e independente de sua Igreja Mãe (The Episcopal Church) ou de sua Igreja Avó (The Scottish Episcopal Church) ou ainda de sua Igreja Tia-Avó (The Church of England). É parte da Comunhão Anglicana; é uma Igreja Nacional que incorpora a cultura brasileira, e um espaço de diversidade e liberdade de pensamento que acolhe todas as pessoas que buscam a fé sem negar sua inteligência. O momento presente da Igreja do Brasil O mundanismo da pós modernidade vem invadindo a Igreja nos últimos tempos. O personalismo e o generalismo (em lugar da erudição e conhecimento) começa a minar o senso de identidade e de unidade da Igreja. As ênfases e tendências que garantem a diversidade começam a apresentar-se como “partidos” que disputam espaço e poder institucional. Por estar inserida na sociedade brasileira, a Igreja sofre o mesmo fenômeno de “emburrecimento” das novas gerações decorrentes de um sistema escolar deficiente e organizado para não educar. Ao mesmo tempo, há um pragmatismo dogmático de formar mão-de-obra, como no mundo secular, sem conhecimento real, apenas prático. A formação do clero se torna cada vez mais deficiente, seguindo o modelo da sociedade, e estuda-se a Teologia em termos acadêmicos, mas dissociada da prática pastoral e principalmente do estímulo à piedade pessoal. O estudo da Teologia passa a ser uma formalidade a ser cumprida; a piedade pessoal é descuidada em nome de uma pretensa secularização de “imersão no mundo”; o convívio vocacional não existe e assim os membros do clero se entendem como “colegas” e muitas vezes concorrentes entre si. Há uma histérica necessidade de afirmar uma “identidade” anglo-isso, anglo-aquilo; o que eu vejo é muita gente se preocupando com detalhes da forma sem aprofundar conteúdo, uma coisa do tipo “garantir espaço”, “marcar território”. Perde-se o senso da eclesiologia e da catolicidade da Igreja quando o Episcopado se torna alvo de disputas de poder institucional sem a perspectiva real do pastorado e do serviço – o péssimo estilo brasileiro de fazer política se torna comportamento na Igreja quando há a necessidade de uma eleição episcopal – o poder pelo poder! Perspectivas de esperança O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios, diz: Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos. E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo. (Efésios 4:1-7 – Nova Versão Internacional) É necessário suportar uns aos outros, não como tolerância, mas como suporte, sustentação uns dos outros. É urgente retornarmos ao convívio da oração coletiva, do estudo da Bíblia e da partilha pastoral, não só nas comunidades, onde isso ainda acontece, mas entre o clero e as lideranças leigas. É urgente que reestabeleçamos a formação teológica vinculada à formação pastoral e ao desenvolvimento da piedade e disciplina pessoal. É urgente que deixemos a administração dos negócios financeiros e patrimoniais da Igreja nas mãos de pessoas realmente competentes e profissionais, de preferência leigos, e que a hierarquia e o clero se submetam às recomendações técnicas de saneamento econômico da Igreja. É urgente que nossos Bispos e o clero se dediquem mais ao Pastorado, à Missão, à Evangelização, ao Ensino e à Cura de almas que à administração institucional; que liderem o caminhar do Povo de Deus e não da instituição humana. É fundamental que se invista em infraestrutura (comunidades locais e dioceses) que em estruturas (provinciais e diocesanas). É fundamental o fortalecimento do laicato, não só nos serviços ministeriais, mas também como poder autônomo na Igreja, atuando como espaço crítico-reflexivo que possa ajudar o clero e o episcopado a perceber as tendências do mundo e, assim, produzirem a reflexão teológico-pastoral adequada aos desafios do tempo presente. Nesse sentido, o ministério dos Diáconos ganha um significado importantíssimo! Tais buscas, se realmente começarem a acontecer, me darão a esperança que minha Igreja ainda está viva e consciente de sua dependência do Espírito Santo de Deus e subordinada em obediência ao Senhor Jesus Cristo. [Nota: comentários com a devida correção de detalhes e imprecisões históricas ou de interpretação da história serão muito bem vindos, pois o artigo foi escrito sem uma pesquisa profunda, baseada apenas nos meus poucos conhecimentos adquiridos no decorrer dos anos] http://pirilampos-pintassilgos.blogspot.com.br

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mensagem de Fé por Rev. Leandro Campos

(Homilia) Amados irmãos e irmãs: Nesta manhã quero convidá-los a refletir sobre a Carta de São Paulo aos Efésios, em particular a seguinte afirmação: "Buscai a Plenitude do Espírito" Se escutássemos este título num outro contexto eclesial e com um outro preletor teríamos a tendência de pensar "lá vem um sermão pentecostal". Quero desmistificar tal afirmação para aqueles que tem uma expectativa pentecostal, substituindo a expressão "Buscai a Plenitude do Espírito" por outra "Maturidade Cristã". Semanalmente nos dirigimos até a igreja e eu pergunto: para quê? Será que buscamos paulatinamente receber o Espírito Santo em doses homeopáticas? Será que buscamos aprender lições que sejam degraus para atingir a maturidade cristã? Nós temos cometido um erro ao buscarmos abordar os assuntos da fé das origens até o presente. O nosso verdadeiro ponto de partida, a perspectiva cristã da fé é a ETERNIDADE. É porque cremos na vida eterna, no Reino de Deus que fazemos o fazemos. A FÉ CRISTÃ é uma fé de Revelação! Ao fazer esta afirmação estou dizendo que os cristãos creem que Deus se revela ao ser humano e revela qual é a sua vontade através da história. Quero destacar dois aspectos desta revelação: a) Deus revela que somos seus eleitos desde antes da criação do mundo e que nos guardará até o fim dos tempos. Pela cruz de Cristo fomos feitos filhos(as) e herdeiros(as); b) A consciência cristã anglicana desta eleição nos faz uma exigência com relação a Nova Vida em Cristo, sermos SANTOS e IRREPREENSÍVEIS. As consequências da nossa fé implicam em sermos um povo Sacerdotal - vivemos para o louvor da glória da graça de Deus; um povo Santo - fomos separados por Deus para sermos cheios do Espírito. A questão que quero trazer a esta comunidade de fé é a seguinte: O que nós estamos fazendo com a NOVA VIDA dada por Deus a cada um de nós por meio de Jesus Cristo? Pelo Batismo somos inseridos na I-greja - corpo místico de Cristo, a Nova Jerusalém Celeste, o Reino de Deus, o Reino dos Céus. Cristo é o cabeça da I-greja, mas também o é do ser humano e da criação como um todo. Somos convidados a derrubar as paredes da i-greja - templo, denominação, instituição meramente humana, para que a I-greja prevaleça. O templo não pode ser considerado um lugar onde eu vivo uma ética diferente da que eu vivo na sociedade e no mundo. A I-greja e o Mundo são uma única realidade onde Cristo é tudo em todos. Nossa ética ou melhor nossa práxis assume uma dimensão relacional onde eu-ego, eu-outro, eu-cosmos nos inter-relacionamos de maneira saudável e sustentável. A comunidade de fé, a i-greja, é um espaço para buscarmos a Plenitude do Espírito, para a Maturidade Cristã. Mas ao invés de pedir e recebê-la em doses homeopáticas, nós já a recebemos no dia do nosso Batismo como "Selo da promessa" - i.e., - "Sois de Cristo para Sempre". Deus-Cristo-o Espírito Santo não são exclusividades cristãs, mas os cristãos são de Deus. Pertencemos a Deus Pai-Filho-e Espírito Santo. Na Santa Eucaristia participamos da comunhão do Filho com o Pai pelo Espírito. Essa comunhão também se estende ao próximo e ao mundo. Os muros da i-greja não são capazes de nos separar de outros povos, outras denominações ou religiões, de diferentes ideologias e sistemas políticos. Assim, nossa convicção é que os fiéis recebem a Plenitude do Espírito, a Maturidade Cristã como uma promessa divina e de uma só vez, mas podendo ser renovada infinitamente. De forma, que nossas vidas estejam repletas dos frutos do Espírito: "alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. " Gálatas 5:22-23 Eu desejo que possamos sair daqui hoje, da seguinte forma: 1. Conscientes da eleição, filiação divina, e da herança por meio da Cruz de Cristo; 2. Consciente de que no Batismo recebemos uma Vida Nova; 3. Comprometidos que na comunhão renovamos o recebimento da Plenitude do Espírito (Maturidade Cristã) que nos envia ao mundo em missão para "Sermos portadores da Luz de Cristo!" Fonte: http://padreleandrocampos.blogspot.com.br/2012/08/buscai-plenitude-do-espirito.html Acesso em 20/08/12

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O MUNDO DOS CONFLITOS



Por Dietrich Bonhoeffer*

"A originária semelhança com Deus se converteu em igualdade roubada. Enquanto o ser humano como imagem de Deus vive exclusivamente de sua origem em Deus, o ser humano que se tornou igual a Deus esqueceu sua origem e se transformou em seu próprio criador e juiz. O que Deus deu ao ser humano este quis ser agora por si mesmo. Dádiva de Deus, porém, é essencialmente, dádiva de Deus. A origem constitui a dádiva. Com a origem a dádiva de transforma. Na verdade, a dádiva consiste em sua origem. O ser humano como imagem de Deus vive da origem divina; o ser humano que se tornou igual a Deus vive de origem própria. Com o roubo da origem, o ser humano incorporou um mistério divino - a Sagrada Escritura descreve este processo como o comer da fruta proibida - no qual ele perece. Sabe, agora, o que é bom e o que é mau. Não que tivesse enriquecido, com isso, o conhecimento que tinha até então com um novo saber; antes a noção do bem e do mal resulta numa inversão total do seu conhecimento, que até então era unicamente um conhecimento de Deus como sua origem. Sabendo do bem e do mal, sabe o que somente a origem, Deus, pode e deve saber. É só com extrema reserva que a própria Bíblia nos indica que Deus é conhecedor do bem e do mal. É a primeira referência à predestinação, ao mistério de uma eterna desunião que tem sua origem no eternamente Uno, ao mistério de uma eterna escolha e eleição por aquele em quem não há escuridão, mas somente luz. Saber do bem e do mal significa compreender a si mesmo como origem do bem e do mal, como fonte de uma eterna escolha e eleição. Como isto é possível continua sendo o mistério daquele em quem não há dicotomia, porque ele mesmo é a única e eterna origem e superação de toda dicotomia. O ser humano roubou de Deus este mistério, ao pretender ser ele mesmo origem. Em vez de conhecer apenas o bondoso Deus e tudo nele, entende agora a si mesmo como fonte do bem e do mal; em vez de aceitar a escolha e eleição divinas, deseja escolher mesmo, ser a origem da escolha; assim, de certa forma, traz o mistério da predestinação em si mesmo. Em vez de saber de si tão-somente na realidade de ser eleito e amado por Deus, tem que entender-se na possibilidade de escolher, de ser a origem do bem e do mal. Tornou-se como Deus, mas contra Deus. Eis o embuste da serpente. O ser humano sabe o que é bom e o que é mau; mas, como ele não é a origem, como adquire este saber unicamente na separação da origem, o bem e o mal que conhece não são o bem e mal de Deus, mas o bem e mal contra Deus. É bem e mal de escolha própria, contra a eterna eleição divina. O ser humano tornou-se igual a Deus como antideus.

Isto se manifesta no fato de o ser humano ciente do bem e do mal ter-se desvinculado definitivamente da vida, da vida eterna tal como emana na eleição de Deus. 'Assim, para que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente!... e ele o expulsou e colocou os querubins diante do jardim do Éden com a espada desnuda que golpeava, para quardar o caminho da árvore da vida'. (Gênesis 3.22,24) O ser humano que sabe do bem e do mal contra Deus, contra sua origem, sem Deus por escolha própria, que se entende em suas possibilidades discordes, está separado da vida unificadora e conciliadora em Deus, está entregue à morte. O mistério que roubou de Deus o faz perecer".

*Dietrich Bonhoeffer (Breslau, 4 de fevereiro de 1906 – Berlim, 9 de abril de 1945) foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista.

sábado, 7 de abril de 2012

Paixão de Cristo – Paixão da Terra




Para os cristãos a Sexta-feira Santa celebra a Paixão do Filho do Homem. Ele não morreu. Foi morto em consequência de uma prática libertadora dos oprimidos e de uma mensagem que revelava Deus como “Paizinho”(Abba) de infinita bondade e de ilimitada misericórdia que incluía a todos até “os ingratos e maus”. Antes de ser executado na cruz, foi submetido a todo tipo de tortura. Segundo alguns intérpretes sofreu até abuso sexual.

Como referem os relatos do Novo Testamento, usando palavras do profeta Isaias, “foi considerado a escória da humanidade, o homem das dores, pessoa da qual se desvia o rosto, desprezível e sem valor, tido como castigado, humilhado e ferido por Deus; mas ele, justo e servo sofredor, se ofereceu livremente para ficar junto aos malfeitores, tomando sobre si crimes e intercedendo por todos nós”.

Desceu até o inferno da solidão humana, gritando nos extertores da cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste”? Porque desceu até ao mais profundo, Deus o elevou até ao mais alto. É o significado da ressurreição, não como reanimação de um cadáver, mas como uma revolução na evolução, realizando nele, antecipadamente, todas as potencialidades escondidas no ser humano. Ele irrompeu como criatura nova, mostrando o fim bom de todo o processo evolucionário.

Mesmo assim, como dizia Pascal, Cristo continua em sua paixão,agonizando até o fim do mundo, enquanto seus irmãos e suas irmãs, a Terra que o viu nascer, viver e morrer, não forem finalmente resgatados. Já dizia a mística inglesa Juliana de Norwich (1342-1413): “ele sofre com todas as criaturas que sofrem no universo”. Outro contemplativo inglês, William Bowling, do século XVII, concretizava ainda mais afirmando:”Cristo verteu seu sangue tanto para as vacas e os cavalos quanto para nós homens”.

Hoje a paixão de Cristo se atualiza na paixão do mundo, nos milhões e milhões de sofredores, vítimas de um tipo de economia que dá mais valor ao vil metal que à dignidade da vida, especialmente da vida humana. O Cristo se encontra crucificado na Terra devastada; suas chagas são as clareiras de florestas abatidas; seu sangue são os rios contaminados.

A rede de organizações que acompanham o estado da Terra, a Global Footprint Network, revelou no dia 23 de setembro de 2008, exatamente uma semana após o estouro da crise econômico-financeira que, neste exato dia, se tinham ultrapassado em 30% os limites da Terra. Chamaram-no de The Earth Overshoot Day: o dia da ultrapassagem da Terra. Esta notícia não ganhou nenhum destaque nos meios de comunicação, ao contrário da crise financeira que até hoje ganha a primeira página.

Com esta ruptura, a Terra já não tem condições de repor os bens e serviços necessários para a manutenção do sistema-vida. Em outras palavras, a Terra perdeu a sustentabilidade necessária para a nossa subsistência. Por causa disso, milhões e milhões de seres humanos são condenados a morrer antes do tempo e entre 27-100 mil espécies de seres vivos, segundo dados do conhecido biólogo Edward Wilson, estão desaparecendo a cada ano. Este fato inaugura aquilo que alguns cientistas já denunciaram como sendo uma nova era geológica. Foi chamada de antropoceno, na qual o grande meteoro rasante e destruidor da natureza é o ser humano.

Com sua voracidade e obsessão de crescer mais e mais para consumir mais e mais está se transformando numa força avassaladora dos ecossistemas e da Terra como um todo. Comparece como o Satã da Terra quando deveria ser seu anjo da guarda.

A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, organizada pela ONU entre os anos 2001-2005, envolvendo cerca de 1.300 cientistas do mundo inteiro, além de outras 850 personalidades das várias ciências e da política, concluíram que dos 24 serviços ambientais essenciais para a vida (água, ar puro, climas, alimentos, sementes, fibras, energia e outros) 15 deles se encontravam em processo acelerado de degradação. Quer dizer, estamos destruindo as bases físico-químico-ecológicas que sustentam a vida sobre o planeta.

Agora não dispomos mais uma Arca de Noé que salve alguns e deixe perecer os demais. Desta vez, ou nos salvamos todos ou todos corremos o risco de perecer.

Neste contexto vale recordar as sábias palavras do Secretário Geral da ONU Ban Ki Moon, proferidas no dia 22 de fevereiro de 2009 referindo-se à crise econômico-financeira em relação à crise ecológica:”Não podemos deixar que o urgente comprometa o essencial” É urgente encontrar um encaminhamento à crise dos mercados e das finanças, mas é essencial garantir a vitalidade e a integridade da Terra. Sem esta salvaguarda, qualquer outra iniciativa ou projeto perdem sua base de sustentação.

Temos que transformar a paixão da Terra num processo de sua ressurreição na medida em que suspendermos a guerra total que movemos contra ela em todas as frentes. Isso somente se alcançará refazendo o contrato natural que se funda da reciprocidade: a Terra nos dá tudo o que precisamos para viver e nós lhe retribuímos com cuidado, respeito e veneração, pois é nossa grande e generosa Mãe.
Esta é o desafio e a mensagem que cabe assumer na Sexta-feira Santa do presente ano de 2012.

Leonardo Boff é ecoteólogo e da Comissão Central da Carta da Terra.

domingo, 1 de abril de 2012

Liturgia: Preparar para Celebrar‏.



por Rev.Lauri Wollmann

Ao preparar uma celebração é preciso ter em mente o seguinte: Não pode haver celebração li-túrgica sem ação do Espírito Santo. O mistério da Páscoa de Jesus que celebramos é fruto do Espírito que fez Jesus levar até o fim a vontade do Pai."

È importante não esquecer que a celebração da Eucaristia é sempre a memória de tudo aquilo que Jesus fez. É a atualização do mistério da nossa redenção. A liturgia precisa manifestar o mistério e nesta manifestação deve entrar a nossa vida.

Ao preparar uma celebração é importante a equipe seguir os passos a seguir descritos.

1. Orar pedindo as luzes do Espírito Santo

Não existe celebração litúrgica sem a ação do Espírito Santo. O mistério da Páscoa de Jesus que celebramos é fruto do Espírito que impulsionou Jesus a realizar a vontade do Pai até as últimas conse-qüências (Cf Hb 9,14)

2. Avaliar a celebração passada

Para avaliar, não basta perguntar "o que deu certo" ou "o que não funcionou". É bom se pergun-tar a partir da assembléia e não a partir da própria equipe. A equipe deve sentir-se participante e não produtora de eventos. Para facilitar a avaliação seria importante algum membro da equipe participar da celebração do meio da assembléia.

Perguntas que podem ser usadas na avaliação: A celebração foi um fato marcante? A assembléia foi envolvida? Os cantos, os símbolos, os ritos, as orações ajudaram a expressar o mistério?

Houve sintonia entre assembléia e equipe? Entre assembléia e presidente? Equipe e presidência? Sentimos prevalecer um clima de oração na nossa celebração? Os(as) ministros(as) agiram do jeito de Jesus? Como entrou na celebração a vida da comunidade e das pessoas? (doentes, sofrimentos, alegri-as, etc...)

3. Situar a celebração, que vai ser preparada, no tempo litúrgico:

Não esquecer que o fundamento de toda a ação litúrgica é o Mistério de Jesus Cristo: sua vida, paixão, morte e ressurreição. É importante ter presente a novidade deste mistério em cada tempo. (qua-resma, páscoa, advento, natal, etc...) Colocar estes mistérios na vida da gente. Quais acontecimentos marcantes da nossa comunidade precisam ser lembrados nesta celebração? (dia das mães, do professor, do médico, ... morte, nascimento, batizado, formatura, etc ...)

4. Fazer a experiência da palavra:

Ler os textos bíblicos do dia, aprofundar os textos dizendo o que cada um entende deles, trazer os textos para suas vidas. É importante ler os textos, meditá-los a partir do mistério de Jesus e confon-tá-los com a nossa vida. É bom ir se perguntando: Quem são os personagens? O que falam? Para quem falam? Qual a boa notícia que Jesus está trazendo? Qual a imagem pascal que aparece no texto?

5. Escolher os cantos:

Alguns que acompanham o rito e outros que fazem parte do rito. Lembrar-se sempre que os can-tos não são momentos para quebrar a monotonia da celebração, mas devem ajudar a dar continuidade, a fazer ligação de uma parte à outra do mistério que celebramos.

6. Exercício de criatividade:

Sem se preocupar muito com a seqüência, as pessoas vão dando idéia do que pode ser feito na celebração. (Gestos, símbolos cantos, jograis, encenações, procissões, dança, etc ... ). Num segundo momento retomar as idéias e por em ordem. Começando pela liturgia da Palavra. Saber que a Palavra é que dá a novidade da celebração. Cada domingo é diferente. Em seguida ir para liturgia de ação de graças (que é o momento logo após o ofertório e antes do Santo).

Depois partir para o Rito da comunhão. Qual vai ser o canto. Finalmente os ritos iniciais e finais (como vai ser a acolhida, a procissão de entrada, onde entra a recordação da vida, etc...). No final pre-ver os avisos, homenagens, membros da comunidade, etc... a bênção e o canto final.

7. Distribuir as responsabilidades:

Quem vai fazer o que? Ministros, leitores, cantores, procissões etc... Ter sempre presente que aquele que exerce um ministério litúrgico, o faz seguindo o exemplo de Cristo servidor de todos. Nun-ca deixar para última hora. Nos casos de procissões, encenações e outros gestos marcar sempre um ensaio.

8. Funções indispensáveis na equipe:

Comentarista, leitores, salmista, intercessor, cantores, instrumentistas, recepcionistas, responsá-vel pelas ofertas, ministros da eucaristia, etc...

9. Preparar o lugar da celebração:

A ornamentação, o som, o altar, os livros e vestes litúrgicas, os vasos sagrados, (cálice, etc ...)

10. Preparar e preparar-se para a celebração.

Investir tempo, recursos financeiros, estar disposto, acolher com carinho, sentir que se está ali para servir em nome do senhor, que a Igreja é de toda a comunidade. Nós respondemos ao chamado do Senhor estamos ali para celebrar juntos, prestando um serviço tão nobre, importante e evangelizador, como membro da Igreja de Jesus.

Alguns lembretes:

• A liturgia é um ato público que tem como centralidade louvar a Deus pela Vida de cada pessoa presente.
• A liturgia é composta de ritos, isto é, um conjunto de sinais, gestos, palavras, símbolos, can-tos...
• O LOC e o hinário não são liturgia; são instrumentos a serviço da liturgia.
• O centro da liturgia é o mistério pascal de Jesus.
• Liturgia é a oração do povo de Deus feita com a participação de todos.
• Liturgia não é fazer sempre igual, mas e recriação da vida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012



Conta-se que Tomás de Aquino, doutor da Igreja Romana (1330 d.C.), ao visitar o Papa Inocêncio IV, este, depois de lhe haver mostrado toda a fabulosa riqueza do Vaticano, disse, fazendo alusão às palavras de Pedro ao coxo da porta Formosa (Atos 3:6):

- Vês, Tomás? A Igreja não pode mais dizer como nos primeiros dias: "Não tenho prata nem ouro..."

- É verdade - confirmou Tomás - Mas também não pode mais dizer ao coxo: "Levanta-te e anda".

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Palavra do Pároco





Amados irmãos e irmãs,

Dezembro inicia se como o mês da família anglicana. Os valores celebrados nestes dias são o de um Deus que vem habitar no seio da família humana, que se identifica com esta família a tal ponto de restaurá la em sua plenitude de imagem e semelhança de Deus.

As festas que se aproximam, iluminadas e iluminadoras devem apontar para o centro, JESUS CRISTO, qualquer outra coisa é mera ilusão. É entreter se com os presentes e não perceber que o Aniversariante é o motivo principal de nossa celebração.

De um modo muito particular nossa Paróquia de Todos os Santos prepara se para celebrar o Natal junto aos mais carentes e excluídos, junto das crianças portadoras ou não de deficiências. Por isso, quero agradecer o esforço de cada um de vocês por fazerem a alegria das 70 crianças que integram o Projeto Anglicana Kids.

Que Deus vos Abençoe e Boas Festas!


Santos (SP), 1º Dezembro de 2011


Reverendo Leandro Antunes Campos +
PÁROCO

domingo, 11 de dezembro de 2011

São Nicolau de Mira



São Nicolau de Mira, dito Taumaturgo, também conhecido como São Nicolau de Bari, é o santo padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega. É o patrono dos guardas noturnos na Armênia e dos coroinhas na cidade de Bari, na Itália, onde estariam sepultados seus restos.
É aceite que São Nicolau, bispo de Mira, seja proveniente de Patara, na Ásia Menor (Turquia), onde teria nascido na segunda metade do século III, e falecido no dia 6 de dezembro de 342.
Sob o império de Diocleciano, Nicolau foi encarcerado por recusar-se a negar sua fé em Jesus Cristo. Após a subida ao poder de Constantino, Nicolau volta a enfrentar oposição, desta vez da própria Igreja. Diante de um debate com outros líderes eclesiásticos, Nicolau levanta-se e esbofeteia um de seus antagonistas. Isso o impede de permanecer como um líder da Igreja. Nicolau, porém, não se dá por vencido e permanece atuante, prestando auxílio a crianças e outros necessitados.
A ele foram atribuídos vários milagres, sendo daí proveniente sua popularidade em toda a Europa e sua designação como protetor dos marinheiros e comerciantes, santo casamenteiro e, principalmente, amigo das crianças. De São Nicolau, bispo de Mira (Lícia) no século IV, temos um grande número de relatos e histórias, mas é difícil distinguir as autênticas das abundantes lendas que germinaram sobre este santo muito popular, cuja imagem foi tardiamente relacionada e transformada no ícone do Natal, Pai Natal (Papai Noel no Brasil) um velhinho corado de barba branca, trazendo nas costas um saco cheio de presentes.
É tido como acolhedor com os pobres e principalmente com as crianças carentes, o primeiro santo da igreja a se preocupar com a educação e a moral tanto das crianças como de suas mães.

Mensagem



Tiago, OSB

sábado, 3 de dezembro de 2011

Leituras da madrugada.
Tiago,OSB